Há um tempinho recebemos uma visita carioca super querida na loja, a Gigi. Em meio a tantos "papos" ela nos contou sobre seus poemas e sobre o "Gotas que encharcam", um projeto do que ela chama de poemínimos (amamos!) escritos em azulejos que ela espalha pela cidade do Rio de Janeiro para aproximar as pessoas da poesia.
Hoje recebemos cinco azulejos para colocarmos nos muros da loja, trazendo para o São Longuinho um pouco da sua poesia. Adoramos muito muito, Gigi! Super obrigada! Colocamos aqui as fotos desta delicadeza de presente... eles já estão lá, grudadinhos em nosso muro! Quem vier visitar a loja, observe pelo caminho as palavras da Gigi.
Vejam o texto que ela nos enviou sobre sua história e o projeto. Quem estiver no Rio, procure as gotinhas pela cidade...
Gotas que encharcam
poemínimos, haikais e senryus
Escrevo poemas desde muito cedo, na infância ainda, mas foi há alguns anos que me apaixonei pelos poemínimos, especialmente os haikais. Estudei muito os poemas de Bashô, poeta japonês e maior nome neste estilo de poesia, e de tantos poetas brasileiros que provaram a grande experiência de escrever pequenos poemas, como Guilherme de Almeida, Paulo Leminski, Helena Kolody, Millôr Fernandes e Alice Ruiz.
Talvez a relação direta com o ofício de ‘enxugar informações’ que pratico diariamente em prol de uma eficiente comunicação – sou publicitária – tenha me levado, inconscientemente, a esta paixão. Cada linha, cada verso, enxutos até onde não se pode mais enxugar, sem perder nenhuma gotinha de sua essência, têm sua potência. Considero o poemínimo uma ‘fotografia feita com palavras’ e é a sensibilidade do ‘fotógrafo’ que determina um bom ‘click’: uma ‘foto-poema’ ampla, capaz de gerar emoções, comparações, sugestões, suspiros, desejos, sonhos. Principalmente os haikais, que trazem em si um elemento que sempre fala alto aos nossos corações: a natureza.
O projeto com os azulejos surgiu a partir do desejo de levar estes poemínimos para a rua, de popularizar este estilo literário, ainda tão ‘elitizado’ no Brasil. A utilização do azulejo como suporte para a ocupação do espaço urbano traz em si o conceito de revestimento, de parede. Cada azulejo é uma 'gota de poesia' e é também um objeto que, inconscientemente, remete à construção. Vou seguindo, construindo este projeto e levando um pouco de poesia para o cotidiano dos passantes. Afinal, quem não precisa de uma gotinha dessas em seu dia a dia?
Gotinhas nas ruas do Rio: